Conheça a origem e história da soja no Brasil

A soja é a principal cultura do agronegócio no Brasil. O país é o maior produtor mundial do grão, tendo atingido uma produção de 135,409 milhões de toneladas na safra de 2020, segundo levantamento do CONAB. Mas como a soja se tornou uma protagonista no desenvolvimento econômico brasileiro? Continue lendo para conhecer a origem e a história da soja no Brasil.

 

A origem da soja

Os primeiros registros da soja no mundo datam entre 2883 e 2838 a.C., no leste da Ásia, onde era considerada sagrada. Bem diferente do cultivo atual, originalmente, a soja era um tipo de planta rasteira encontrada em maior abundância nos arredores do Rio Yangtzé, na China.

 

As ancestrais se desenvolveram através de cruzamentos naturais entre espécies selvagens, que foram domesticadas e aprimoradas pelos cientistas da China Antiga, até surgir a soja como conhecemos hoje. Contudo, até meados de 1894, a produção de soja era restrita ao país asiático.

 

A cultura foi introduzida à Europa no fim do século XV, mas somente na segunda década do século XX a indústria global começou a demonstrar interesse nos benefícios do grão, como o teor de óleo e as proteínas. Após falhar na Rússia, Alemanha e Inglaterra, o cultivo comercial começou efetivamente nos primeiros anos do século passado, nos Estados Unidos. Inclusive, em 1921 é fundada a American Soybean Association (ASA), evento considerado como o marco da consolidação da cadeia produtiva da soja em esfera mundial.

 

Como a soja chegou no Brasil

Os primeiros registros históricos da soja no Brasil datam de 1882, com cultivos experimentais na Bahia. Contudo, o marco oficial da introdução do grão ao solo brasileiro é 1901, quando a Estação Agropecuária de Campinas deu início aos cultivos e à distribuição de sementes para produtores do Estado de São Paulo.

 

A cultura foi oficialmente introduzida ao Rio Grande do Sul em 1914, na região pioneira de Santa Rosa. Com condições climáticas favoráveis ao cultivo da soja, foi em solo gaúcho que se deu o início dos primeiros plantios comerciais, dez anos depois.

 

Foi no fim da década de 1960 que o Brasil começou a enxergar o grão como um bom produto comercial, principalmente por dois motivos específicos: primeiramente, o trigo era a principal cultura do Sul brasileiro na época. A soja surgia, então como uma alternativa de verão em sucessão ao trigo. Além disso, o Brasil também investia na indústria de suínos e aves, o que criou a demanda pelo farelo de soja. Já em 1966, a cultura virou uma necessidade estratégica para o país, somando uma produção nacional de aproximadamente 500 mil toneladas.

 

Apenas quatro anos depois, em 1970, o valor da soja explodia no mercado mundial. Essa expansão foi influenciada pela ampliação da indústria de óleo, incentivando ainda mais os agricultores brasileiros e o próprio governo federal a investir na produção.

 

Além disso, no início da década, a Secretaria de Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul e o Instituto de Pesquisa Agropecuária do Sul (IPEAS) lançaram as primeiras cultivares brasileiras originadas de cruzamento em material introduzido principalmente do Sul dos Estados Unidos. Os programas nacionais de melhoramento genético tiveram um papel fundamental no progresso da soja no país.

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